Concorrência tem limite!

Por Máurio Galera

No dia 13/06/2012 aconteceu em são Paulo o I Seminário Internacional Sonhar TV, um projeto da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, que visa discutir a “tevê dos sonhos”, e contou com várias palestras durante todo o dia. No site www.sonhar.tv vários profissionais e estudiosos do tema debantem sobre o futuro e a qualidade da televisão brasileira. (vale muito dar uma olhadinha nos depoimentos)

Mas este post não é uma propaganda deste projeto, e sim para contar um fato curioso ligado diretamente a palestra de Luís Erlanger, Diretor da Central Globo de Comunicação, e o texto publicado pelo jornalista Daniel Castro em seu blog no site R7.

Para entender melhor o que este blogueiro tenta falar, segue o link do texto e da respotas de Luis Erlanger:

jornal-nacional-nao-e-jornalismo-afirma-porta-voz-da-globo

A rivalidade entre a Rede Globo e a Rede Record ultrapassou os limites do bom senso. O conteúdo da palestra de Luís Erlanger foi completamente deturpado, criando um sentido muito diferente do que foi dito.

Não estou aqui para tomar partido algum… mas estava presente na palestra e também fiquei indignado com a forma que o texto descreve as opiniões de outra pessoa, pinçando frases e tirando-as do contexto original.

Um péssimo exemplo de jornalismo na guerra pelo íbope, ou melhor por alguns “views”.

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A dois

Por Claudete Pereira

Aproveito o tema ‘dia dos namorados’ citado pelo Máurio Galera, aqui no Blog Os Oitos Abutres, para falar sobre a interação e troca de informação quase instantânea na internet.

Acredito que em nenhum outro ‘dia dos namorados’ as pessoas compartilharam tanto suas comemorações como este ano, através do Facebook. Muitos dividiram com seus inúmeros amigos virtuais momentos que até pouco tempo eram considerados pessoais. Várias pessoas, além das declarações apaixonadas – afinal de contas, nesta data comemora-se o encontro e o amor entres os casais – mostraram, por exemplo, o local e o vinho caríssimo que escolheram.

Tal exposição na internet me lembrou a Iconofagia, conceito criado pelo professor Norval Baitello Júnior que significa “a devoração das imagens ou pelas imagens: corpos devorando imagens. Ou imagens que devoram corpos”. Segundo Baitello Júnior, “a Era da Iconofagia significa que vivemos em um tempo em que nos alimentamos de imagens e as imagens se alimentam de nós, dos nossos corpos. Esse processo ocorre quando passamos a viver muito mais como uma imagem do que como um corpo. Viramos escravos das imagens: temos que ter um corpo que seja uma imagem perfeita, temos que levar uma vida vivida em função da imagem, temos que ter uma carreira que seja uma imagem perfeita. Com isso, de repente notamos que o corpo como entidade original da vida passou a ser uma imagem e, portanto, não ter mais vida própria”.

O presente (caríssimo) deveria interessar apenas ao casal, mas se exibido para todos pode demonstrar poder aquisitivo, status. Analisando as relações humanas a partir da ótica do mercado consumidor, Zygmunt Bauman apresenta aspectos do fetichismo que as mercadorias passam a exercer sobre os consumidores, fazendo-os não só se sentirem, mas portarem-se como mercadorias.

Talvez, em tempos de relacionamentos tão instáveis – do imediatismo e do instantâneo – um (a) namorado (a) apaixonado (o) no Facebook, possa ser considerado mais que um amor, possa comprovar a “vida perfeita” que muitos usuários da rede social apresentam em seus perfis.

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Como o interesse em ganhar a classse “C” está baixando o nível do jornalismo na TV aberta

Por Marina Câmara

“Programação 2012 da TV Globo mira a classe C” news.aspx

Estava pesquisando sobre sensacionalismo e me enviaram este link acima, sobre o desejo da maior emissora do país em conquistar a classe C, que representa 50% da população, e consequentemente do mercado consumidor.

Segundo, o Diretor Geral da Globo Otávio Florisbal, a GLOBO não poupará esforços para abocanhar essa nova classe emergente.

Apesar de trabalhar em televisão há mais de 20 anos, período em que priorizei trabalhar em emissoras educativas e em TVs por assinatura, não tenho tido tempo de acompanhar as novidades. Com uma filha de seis anos em casa, procuro controlar o que ela assiste  na TV,  já que considero a programação da TV Aberta nada recomendável para as crianças de modo geral.

Recentemente ela começou a assistir a novela das sete da REDE GLOBO, “Cheias de Charme”. Acompanhei alguns capítulos com ela para ver se era ou não apropriada.

Pois um dia, nos intervalos comerciais, uma chamada para o Jornal Nacional, me deixou bastante nervosa.  Cristiane Pelajo, que substituía Patrícia Poeta, começou a chamada  falando sobre o caso do empresário da Yoki que foi brutalmente esquartejado. Em questão de segundos meu cérebro começou a   pensar se ela realmente usaria uma palavra pela qual eu estava esperando, já que o assunto havia sido comentado o dia inteiro nas redes sociais.  Rapidamente abracei minha filha e coloquei as maãos nas orelhinhas dela para que não ouvisse o que eu imaginava que seria dito e que infelizmente se concretizou.

O texto da apresentadora era assim: “Peritos encontraram indícios de que o empresário da Yoki estaria vivo quando teve sua cabeça decepada”.

Eram oito horas da noite e infelizmente pude perceber que o desejo da GLOBO em abocanhar a classe “C” está sendo realmente colocado em prática. E fica a pergunta: como um jornal, referência para grande parte da população brasileira,  se dispõe a dizer um texto desses em pleno horário de jantar? Horário em que as famílias se encontram para falar do seu dia.

Será que não é possível fazer um jornalismo que atenda a todas as classes de modo geral sem cair na deselegância com telespectadores que estão atentos à qualidade da televisão.

O pior é que todas as TVs estão se nivelando muito por baixo. Recentemente a REDE RECORD  ressuscitou e colocou no ar o CIDADE ALERTA, programa famoso por abusar do sensacionalismo.

É difícil conceber  que  com as novas tecnologias, as redes sociais e o aumento de  interesse pela qualidade da informação, a forma de angariar mais telespectadores seja através do sensacionalismo. Onde anda a criatividade dos diretores  de jornalismo das emissoras?

Em discussões com amigos sobre  o tema, chegamos a conclusão de que o que influência a escolha do telespectador  ao assistir TV,  é o seu nível de educação. Quanto pior sua educação, maior a falta de um olhar crítico para qualquer assunto, inclusive televisão, restando para todas as outras classes menos opções do que assistir na TV aberta brasileira.

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Em busca do furo jornalístico

Por Rodrigo Rocha

Em todos os meios de comunicação são noticiadas denúncias a respeito da forma conflituosa que é tratada a divulgação do furo jornalístico, ou seja, está em pauta uma discussão que vai além do código de conduta do jornalista.

Universidades e cursos profissionalizantes seguem priorizando a formação do profissional ético e responsável. Investe-se tempo e recursos numa necessidade que nada tem de recente. Aliás, o fato é mais antigo do que possamos imaginar.

O comportamento da classe jornalística segue os passos dos primórdios- invenção de notícias, parcialidade, interesse, falso corporativismo.

Alterar os padrões da comunicação é palavra de ordem no momento. Discute-se qual o papel da imprensa e quem deve ter o poder de, realmente, interpretar e informar de maneira adequada.

Entretanto, nada disso é maior do que o poder de quem os financia. Está claro que quem manda mesmo são os empresários, cujo único interesse é enriquecer (lícita ou ilicitamente) à custa de profissionais de reputação duvidosa e, pior ainda, de subordinados ao sistema que sempre imperou no jornalismo nacional, o da censura.

Surge então um novo termo, a “censura moderna” faz referência aos interesses dos anunciantes, os quais influenciam a opinião do jornalista na divulgação de um fato. Os que se esforçam para manter sua imagem, neutralidade e credibilidade são minados por seus superiores que jamais desejariam contrariar os interesses de quem os banca.

Agora, vergonha passa a ser a palavra do momento para o jornalista que acaba de se formar. Nada pode ser tão degradante quanto o sonho em ruínas dos focas envoltos em um meio inescrupuloso.

Abutres, diriam uns. Sugam tudo o que puderem, acusam sem provas, punem sem direito a julgamento. Em quem merda nos metemos? Diriam outros.

Pois tudo isso é apenas o reflexo da transformação da sociedade. Acima da formação do profissional está a formação do homem, do ser humano, aquela que vem de casa, esta sim, anda mesmo deficitária.

Caráter, honestidade e respeito ao próximo não se ensina na faculdade, mas sim, na escola da vida. Concordo que deve ser alimentada, aperfeiçoada nos cursos superiores, mas a ausência de tais valores é apenas uma extensão do que se vê no dia a dia.

Não tão diferente da falta de educação no trânsito, da maneira simples e natural que a população trata a corrida em busca da “sobrevivência”.

Parece um problema estrutural a corrida pelo dinheiro. O caos não é apenas nacional, mas mundial.

Redes de manipulação, comportamento intrusivo, mentiras e falcatruas justificadas pelo bom e velho: é isso o que o povo quer!

Mentira! Não é isso o que o povo quer. O que o povo não quer é ser enganado, roubado, influenciado. A eles é enviado um lixo altamente tóxico e causador de dependência.

Em que merda nos metemos? Diríamos todos que somos ludibriados por fórmulas absurdas de manipulação em busca do poder.

A vida real sendo retratada como novela, a novela inspirando comportamentos destrutivos, mundanos e alienados.

É isso o que a mídia quer! Ou melhor, é isso o que governo, empresários, alguns jornalistas querem, sim! Para isso, usam os meios de comunicação. Não há mais como negar ou tentar se enganar. É simples assim.

 

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A novela da vida

Por Flávia Crialesse

As histórias da vida se confudem com as da ficção e vice versa. Quantas vezes você já não se pegou comentando algum acontecimento ligado a alguma novela, seriado ou minissérie da televisão?

Cada vez mais, as pessoas estão ligadas nesse tipo de programação para distração depois de um longo dia de trabalho, como uma fuga da realidade ou para esquecer os problemas que têm no dia-a-dia. Programas como esse abordam temas que nós mesmos passamos em nosso cotidiano, em nossa sociedade e que muitas vezes nos fazem pensar e conversar com outras pessoas formando opiniões.

Muitas novelas discutem temas polêmicos como racismo, violência contra a mulher, a dificuldade de locomoção dos cadeirantes, entre outros. As novelas procuram levantar bandeiras importantes para a sociedade. De uma forma ou de outra, elas acabam sendo um ponto de partida para discussões relevantes e que possam ser levadas a sério. Alguns temas que antes tiveram pouca divulgação, agora podem ter mais visibilidade, explicação e agem como uma ferramenta especial, muitas vezes de saúde pública.

Em contrapartida, há aqueles que são totalmente avessos a esse tipo de programação e acreditam que certos temas agem como estímulo para violência e desordem da sociedade.

As opiniões são diferentes, talvez os intuitos também, os autores chegam a jurar de pés juntos que não é só pela tal audiência, mas pela “causa”, não podemos afirmar. De qualquer modo, tudo aquilo que for para o bem da sociedade acaba sendo de grande valia.

A televisão nos permite escolher a programação que é de nosso gosto, no Brasil a “campeã” de audiência ainda é a novela. Ela é moldada de acordo com que os telespectadores esperam e gostam, por isso a audiência tende a crescer cada vez mais.

E vamos levantando a bandeira para a novela da vida: aquela em que sentamos com a nossa família, em nosso confortável sofá e aguardamos a novela das 21 horas.

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A autopromoção por meio das palavras

Por Priscila Sampaio

É função do jornalista combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação”, é o que diz no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.

No entanto, esse código, principalmente na frase: “com o objetivo de controlar a informação”, foi deixado de ser exercido por Policarpo Junior, diretor de redação em Brasília e o repórter Gustavo Ribeiro, ambos da revista Veja, ao dar palavra e espaço para denúncias que proviam do bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Como já tratamos em outros textos, a mídia abutrizada não tem medido esforços para dar o furo e a reportagem que causa grande repercussão no País, o que faz exceder limites da ética e bom senso. No caso citado acima, não podemos apontar que os jornalistas estejam envolvidos com a corrupção, mas utilizaram fontes impróprias para obter a informação.

Carlos Cachoeira, o bicheiro/informante.

De acordo com a reportagem “Os desinformantes”, da revista Carta Capital, escutas feitas pela Polícia Federal na operação Monte Claro, apontam que o bicheiro e senador eram informantes principais dos jornalistas. Cachoeira denunciava aqueles que atrapalhavam seu esquema de corrupção dentro dos ministérios. Em toda faculdade de jornalismo, há a orientação de nunca se confiar em uma única fonte, e procurar ter mais depoimentos de outros envolvidos no caso, pois por “ingenuidade” você pode ser manipulado e dar uma única versão da história.

Em um dos trechos da escuta telefônica, Cachoeira diz onde a nota da denúncia deve ser publicada na revista. No momento em que a fonte escolhe ou pede em qual seção colocar a informação que está compartilhando, o jornalista deve se atentar para os interesses dela. Policarpo cometeu um erro primário ao permitir que a relação chegasse a esse ponto e tudo isso para ter com exclusividade a denúncia que colocaria o Governo Federal em exposição negativa, sem ter as devidas provas em mãos.

Não sendo suficiente esse episódio, a revista em questão ainda fez a entrevista com o senador Demóstenes Torres, na famosa Páginas Amarelas, dando o título: “Só nos sobrou o Supremo”, com a linha fina “O combativo parlamentar diz que o Congresso age bovinamente, o TCU está sob fogos e os promotores cansados, situação que põe em risco o estado de direito do Brasil”. Publicada em 11 de junho de 2011.

O Senador hoje é acusado de fazer parte da quadrilha de Cachoeira, em que Torres seria o articulador na política e a força para as derrubadas de políticos da oposição. Carlinhos Cachoeira, empresário e envolvido em negócios com a construtora Delta, apontada em crimes como licitações fraudulentas e desvio de dinheiro público.

É possível dizer que é aceitável ter esse tipo de fontes para ser informantes?

Celso Shröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, dá sua opinião: “Para mim, é praticar o mau jornalismo, prejudicar um lado da notícia para beneficiar outro. O correto seria buscar o contraditório, buscar a verdade em diversas fontes, coisa que a Veja não tem feito. O problema da revista é atribuir uma dimensão da verdade a informação que obtém porque lhe interessa. Não é de hoje que ela faz isso, construir uma realidade”.

A partir do momento que você denuncia um crime, mas acoberta outros, você passa a fazer parte desse crime, sendo cúmplice em esconder uma corrupção e se prestigiar com as falhas de outros.

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Dia dos Assaltados?

Por Máurio Galera

Vou começar escrevendo este post pedindo desculpas ao leitor por falar de uma data específica. Hoje, 12 de Junho de 2012, também conhecida como o “Dia dos Namorados”, e além da apelação constante comercial da data, que convenhamos, não é o grande tema deste blog, virou um dia de preocupação para alguns paulistanos.

A violência é um dos principais problemas da cidade de São Paulo, nós já sabemos disso. Arrastões andam acontecendo em restaurantes de diferentes bairros, nós também já sabemos. Mas vários veículos da imprensa trataram a preocupação com a segurança no dia hoje com um “carinho excessivo”, e geraram a conhecida “onda de pânico”.

Não estou aqui pedindo para a imprensa não fazer o seu papel e deixar de informar a população, que fique claro! Só não gostaria de de ver em alguns exemplos de reportagens um apelo ao pânico, alertando para uma possível onda de arrastões que talvez nem aconteça.

Abaixo está um exemplo de matéria sobre a possível “onda de arrastões”:

A matéria desta site também comenta o medo coletivo:

1103410-o-arrastao-tucano-e-os-namorados.shtml

O temor coletivo só se propagou com as mídias socias, e muitos vão passar a data comemorativa são e salvos em suas casas… longe dos seus amores..

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O show da vida

Por Priscila Sampaio

O filme O Show de Truman (1998), dirigido por Peter Weir, traz uma bela crítica sobre indústria cultural e a postura que a sociedade tem perante a televisão.

Para quem ainda não conhece, o longa é um programa que transmite 24 horas a vida de Truman Burbank, um pacato vendedor de seguros que foi escolhido desde o ventre da sua mãe para ser o astro do Truman Show, porém ele não tem consciência que sua vida é monitorada. A cidade onde vive tem câmeras espalhadas que trazem as imagens de tudo que faz.

Uma das cenas que chama para uma reflexão é quando o diretor e criador do programa Christof (Ed Harris) diz a uma telespectadora, que o critica em relação a aprisioná-lo no programa, que o reality show faz sucesso porque aceitamos a realidade do mundo no qual estamos presentes.

Isso caracteriza a obra Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord. O autor explica que os acontecimentos se transformam em espetáculos, que são produzidos, construídos e divulgados e oferecidos para o consumo. É o que podemos comparar com os reality shows, como o Big Brother Brasil. A casa é um cenário, o dia a dia dos participantes são planejados – festas, refeições – e é divulgado nos telejornais de maior audiência no Brasil.

Debord ainda ressalta que “quando o mundo real transforma-se em simples imagens, estas tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico”. A repetição de chamadas para o programa, as diversas apresentações que falam, analisam o que ocorre no reality show, faz que todos estejam hipnotizados em acompanhar a vida dos participantes. Assim surgem as tendências de moda, as pessoas passam a usar acessórios e roupas que vêem na televisão e buscam objetos de decoração que faça sua residência ser parecida com a casa mais vigiada do país.

A sociedade assiste ao que os grandes produtores oferecem, porém temos o poder de cobrar mais qualidade nos programas, basta mudar de canal ou utilizar redes sociais para expressar o descontentamento, mas ainda temos a preferência do comodismo em ficar sentados à frente da TV.

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Disputa pelo mercado da fé

Por Claudete Pereira

Televisão e ReligiãoDurante as aulas da disciplina ‘Mídia e Poder’, observei várias mudanças ocorridas nos meios de comunicação nas últimas décadas, mas percebi que a preocupação com a influência da televisão não mudou. Por isso, resolvi escrever este post sobre o vale-tudo televisivo entre a Rede Record, mantida pela Igreja Universal do Reino de Deus, e a Igreja Mundial do Poder de Deus, que possuí mais de 26 horas diárias de programação em três canais de TV.

Nos últimos meses, a Record exibiu uma série de reportagens com acusações e informações sobre a compra de fazendas, avaliadas em R$ 50 milhões, pelo apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. Segundo a emissora, a compra foi realizada com dinheiro da Igreja Mundial, mas consta como patrimônio pessoal de Santiago. O apóstolo rebate as acusações com outras denúncias contra Edir Macedo, fundador da Universal, em seus programas diários nas emissoras Canal 21, Rede TV! e Bandeirantes.

Nesta batalha, a Rede Record utiliza sua audiência para manter a Universal na liderança, já que a igreja ligada à emissora tem mais templos e fieis que a concorrente. Enquanto a Mundial, igreja neopentecostal que mais cresce no país (estima-se que 30%dos fiéis vieram da Universal), gasta mensalmente mais de R$ 30 milhões em mídia.

Com modelos parecidos, Universal e Mundial, utilizam a televisão para oferecer serviços mágico-religiosos, como o enriquecimento rápido e curas, para milhares de fiéis, visando o bem-estar de poucos. O que é bem antigo no país.

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Quem alimenta a fera

Por Rodrigo Rocha

Com o intuito de compreendermos os motivos que levaram o filme A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder (1951), a ser considerado um fracasso de público e crítica, resolvemos examinar a repercussão que se formou em torno do longa-metragem na época.

A obra se baseia em uma simulação da realidade, representa então o estéreótipo de um jornalismo desfigurado, descomprometido com a sociedade e voltado unicamente ao lucro. No foco da crítica está a fabricação da notícia sem se pautar nos cuidados profissionais com a ética.

Evidentemente, nenhum jornalista gostaria de ter sua imagem atrelada à falta de escrúpulos nem à exploração de tragédias em busca de audiência.

Por isso, a imagem propagada pela imprensa, de que a obra seria antiamericana e mentirosa, refletiu diretamente nos resultados de bilheteria.

Alguns afirmaram que a ausência de personagens mais agradáveis proporcionou o fiasco, pois todos os protagonistas são canalhas monstruosos e ninguém gosta de ver um espelho cruel da realidade.
Outra hipótese analisada é a de que, embora Billy Wilder já fosse um grande nome de Hollywood em 1951, o filme fez com que as pessoas ficassem constrangidas ao se verem retratadas como facilmente manipuláveis e ansiosas por uma desgraça que trouxesse alguma emoção as suas vidas.

Segundo o site Cinerepórter, o próprio Wilder teria se manifestado quanto às razões do insucesso:
“Disseram que o filme foi um fracasso, porque a esposa se revela como um monstro frio – nenhuma mulher convidaria o marido para ver esse filme. Acredito mais numa outra razão para o fracasso, a de que o verdadeiro canalha não seja nem Kirk Douglas, no papel do repórter, nem Jan Sterling, no papel da esposa, mas o público. O jornalista é aquele que dá comida à fera, mas não é ele mesmo a fera. É esta a causa do fracasso: ninguém quer ver a si mesmo no papel de canalha. Como é que se pode despertar a curiosidade das pessoas para ver o filme, se o que se mostra a elas é a que bestiais consequências a curiosidade leva?”.

De todo modo, vale ressaltar o desafio de reabrir uma discussão referente ao comportamento, não só da imprensa, como de toda a sociedade na formação moral de cidadãos conscientes, éticos e capacitados a discernir as variadas formas de persuasão e manipulação da mídia e seus reais interesses com isso.

A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole – 1951 – Billy Wilder):

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